Pelo terceiro trimestre seguido, o Nordeste registrou o maior crescimento percentual da carteira de crédito entre todas as regiões brasileiras. Os dados do Banco Central referentes ao segundo trimestre de 2026 mostram expansão de 18% na carteira de pessoa física — quase o dobro da média nacional de 9,7%.
O movimento é impulsionado principalmente pelo crédito consignado para servidores públicos estaduais e municipais — categoria que cresceu 22% no período — e pelo microcrédito produtivo orientado, que atende pequenos empreendedores informais.
Um fenômeno relativamente novo contribui para esse crescimento: o surgimento de fintechs com foco específico no mercado nordestino. Empresas como a FortalCredi (Ceará) e a RecifePay (Pernambuco) desenvolveram modelos de análise de crédito adaptados à realidade da economia informal da região, onde a renda é irregular mas o histórico de pagamento é consistente.
Esse modelo de análise alternativa — que usa dados de consumo de energia, histórico de pagamento de contas de água e padrões de compra no varejo — tem permitido concessão de crédito a populações que os bancos tradicionais excluíam sistematicamente.